ANÁLISE
DAS DEMONSTRACOES CONTABEIS
Autor: GILBERTO CASAGRANDE SANT’ANNA
2007
1. ANÁLISE DAS DEMONSTRACOES CONTABEIS
A
análise da situação econômico-financeiro de uma empresa é feita por meio de
indicadores que representam a liquidez (situação financeira), a rentabilidade
(situação econômica) e a posição de endividamento (estrutura de capital) da
empresa em determinado momento. Para se ter uma visão rápida da situação
econômico-financeiro em determinado momento, basta se apurar os índices de
liquidez corrente, seca e geral, os índices de rentabilidade (da empresa e do
empresário) e os índices de endividamento da empresa, em termos de quantidade e
qualidade. Estes três índices serão vistos como mais detalhes ao longo de nossa
aula, porem, a critério do analista, uma serie de outros indicadores, projeções
e modelos também podem ser utilizados para melhor diagnostico da situação
econômico-financeiro das entidades.
2. CONCEITOS BASICOS
As
demonstrações contábeis mais utilizadas para efeito de analise contábil são o
balanço patrimonial (BP), a demonstração de resultado do exercício (DRE), a
demonstração das origens e aplicação dos recursos (DOAR), a demonstração de
lucros ou prejuízos acumulados (DLPA), a demonstração de fluxo de caixa (DFC) e
a demonstração de valor adicionado (DVA). Também podem ser considerados,
entretanto, no processo de avaliação, as notas explicativas que acompanham os
balanços, assim como os pareceres de auditoria e outros relatórios emitidos
pela empresa. A maior ênfase da analise, todavia, reside nas duas primeiras
demonstrações, ou seja, o balanço patrimonial e a demonstração do resultado do
exercício, uma vez que tais demonstrativos identificam, de forma objetiva, a
situação financeira e econômica da entidade em determinado momento.
Os indicadores (ou
índices ou quocientes) são obtidos sempre da divisão entre grandezas ou valores
constantes em contas, grupos e subgrupos do ativo, passivo ou resultado, tais
como o ativo circulante, disponível, realizável em curto prazo, estoques,
receitas, passivo circulante, capital próprio, capital de terceiros, etc. Tais
quocientes permitem diagnosticar a saúde econômico-financeiro das entidades, em
termos de viabilidade futura e continuidade.
3. ANALISE HORIZONTAL E VERTICAL
A
analise horizontal e a analise vertical das demonstrações propiciam a
verificação de tendências, possibilitando a projeção de cenários, com base na
manutenção ou alteração de determinado comportamento. Os quocientes obtidos
pela divisão de valores constantes em grupos, subgrupos e mesmo contas, uns
pelos outros, possibilitam uma rápido diagnostico da situação
econômico-financeiro das empresas, possibilitando a imediata ação no sentido da
correção de problemas com eventuais ajustes.
A analise horizontal
compara valores de um ano para outro, ou seja, verifica a posição
econômico-financeiro da empresa em determinados períodos e a compara em relação
ao ano anterior, mostrando a evolução da estrutura patrimonial existente. Já a
analise vertical, como o próprio nome diz, é feita de cima para baixo, por meio
do calculo da composição de cada item do ativo ou passivo em relação a um total
no mesmo período.
Em um exemplo de analise
horizontal, se o ativo circulante de uma empresa em um ano X1 era de R$ 1.000,
em um ano X2 era de R$ 2.000, dividindo-se o valor do ano posterior pelo ano
anterior, encontraremos o valor 2. Isto
quer dizer, na pratica, que o ativo circulante dobrou em relação ao ano
anterior. Porem, se o capital no ano X1 era de R$ 10.000 e no X2 era de R$
5.000, pode-se dizer que houve uma redução significativa no capital da empresa,
tanto é que de um ano para outro, o fator de evolução foi de 0,5.
Em outro exemplo, na
analise vertical, se o ativo circulante (AC) da empresa é de R$ 1.000 em
determinado período e o ativo total (AT) é de R$ 10.000 neste mesmo período,
isto significa que o Ativo Circulante representa apenas 10% do ativo da
empresa, sendo o quociente de 0,1. Porem, se as dividas de curto prazo
representam R$ 5.000, isto significa que elas representam 50% de tudo o que a
empresa possui, ou mesmo de tudo o que ela deve (passivo total).
4. ANALISE POR INDICES
Os indicadores ou índices ou
quocientes como são conhecidos refletem a posição econômico-financeiro da
empresa em determinados períodos, em termos de liquidez, rentabilidade e
endividamento. São obtidos por meio de divisões entre grupos, subgrupos ou
mesmo contas apresentadas nas demonstrações contábeis, umas pelas outras, de
maneira a evidenciar a situação do patrimônio.
Como um
exemplo, temos o índice de liquidez corrente, obtido pela divisão entre o valor
do ativo circulante e o valor do passivo circulante, que mostra a capacidade de
pagamento de uma empresa em curto prazo. Ha. diversos índices que podem ser
obtidos por meio de divisões entre grandezas expressas nas demonstrações
contábeis, evidenciando a situação patrimonial existente. Os principais índices
utilizados são os relativos à estrutura de capital, índices financeiros, econômicos
e de atividades, conforme veremos a seguir.
5. INDICADORES DE ESTRUTURA DE CAPITAL
Tais indicadores demonstram como foi
utilizado o capital da empresa em determinados grupos ou subgrupos de contas. A
seguir, mostramos os dois principais índices utilizados relativos ao
comprometimento do capital da empresa.
5.1 Imobilização
do Patrimônio Liquido – indica quanto a empresa imobilizou de seu patrimônio
liquido ou quanto a empresa aplicou de seu capital total no ativo permanente
IPL = Imobilizado
PL
ou IPL = Ativo
Permanente
PL
5.2 Participação
de Capitais de Terceiros sobre Recursos Próprios – indica quanto a empresa
possui de recursos de terceiros em relação ao seu capital próprio.
PCT = Capitais
de Terceiros
Capital Próprio
6. INDICADORES FINANCEIROS
Os indicadores financeiros são os
normalmente ligados à solvência da empresa e endividamento. A seguir,
apresentamos os principais índices utilizados.
6.1 Índice de
Liquidez Corrente (ou Liquidez Comum) – mostra a capacidade de pagamento da
empresa em curto prazo. Um índice acima de 1 é considerado positivo e quanto
maior, melhor a liquidez para pagar as dividas de curto prazo e menor a
possibilidade de inadimplência.
ILC = Ativo Circulante
Passivo
Circulante
6.2 Índice de
Liquidez Seca – é o mesmo índice que o de liquidez corrente, porem diminuem-se
do ativo circulante o valor dos estoques, como se a empresa não pudesse contar
com a venda de seus estoques para fins de sanar suas dividas de curto prazo. É
um índice muito utilizado por banqueiros, por ocasião da analise de credito
relacionado a financiamentos.
ILS = Ativo
Circulante - Estoque
Passivo Circulante
6.3 Índice de
Liquidez Geral – mostra a capacidade de pagamento da empresa em longo prazo,
considerando a possibilidade de que ela venda tudo o que possui para saldar
suas dividas, tanto de curto como de longo prazo. O ideal é um índice acima de
1 por representar uma boa capacidade de pagamento das dividas de curto e longo
prazo. Porem, o índice deve ser analisado em conjunto com outros anos, pois
pode acontecer, por exemplo, de a empresa fazer determinada aquisição de um
ativo permanente em longo prazo em um ano (e o índice ficar muito baixo), e
recuperar sensivelmente o valor gasto em anos posteriores, pelo acréscimo de
renda (e do ativo circulante), o que pode provocar um acréscimo significativo
no índice.
ILG = Ativo Circulante + Realizavel a Longo
Prazo
Passivo
Circulante + Realizavel a Longo Prazo
6.4 Índice de
Liquidez Imediata – mostra o que a empresa dispõe de imediato para fazer frente
a dividas de curto prazo. É um índice sem muita expressão, apenas demonstrando
quanto se dispõe em disponibilidades imediatas para fazer frente à quitação de
dividas.
ILI = Disponível
(Caixa e Bancos)
Passivo
Circulante
6.5 Índices de
Endividamento – Ha. vários indicadores de endividamento, dentre os quais
destacamos o que evidencia a proporção de capital de terceiros utilizado pela
empresa sobre o capital próprio e de terceiros, ou seja, o patrimônio liquido
somado ao exigível de curto e longo prazo.
Capital de
Terceiros
Capital de
Terceiros + Capital próprio
Ou Exigivel total ou PC + ELP
Exigivel
total + PL PC + ELP +PL
Ha. outro índice
que reflete a garantia do capital próprio ao capital de terceiros (quantidade).
Capital próprio
Capital de
terceiros
ou de outra
forma…
PL
.
Exigível total
E no que se
refere à qualidade do endividamento, ou seja, se a divida é de curto ou longo
prazo, ha. o seguinte indicador…
PC . Ou seja, quanto da divida total da empresa é
de curto prazo.
Exigível Total
7. INDICADORES ECONOMICOS
Os
indicadores econômicos indicam a situação de rentabilidade da empresa, em
relação a sua possibilidade e habilidade na geração de resultados, assim como
seu potencial de vendas, que é refletido na DRE (demonstração do resultado do
exercício). A taxa de retorno sobre o investimento e a taxa de retorno sobre o
patrimônio liquido são os dois principais índices utilizados, permitindo
verificar quanto de retorno gera a empresa a partir do investimento realizado.
TRI = Lucro
Liquido
Ativo Total
TRPL = Lucro Liquido
Patrimônio Liquido
8. INDICADORES DE ATIVIDADES
Os
indicadores ou índices de atividade são utilizados no processo de analise do
giro de estoques, ou seja, de sua renovação, considerando os prazos envolvidos
em compras e vendas de mercadorias. No caso, quanto maior a velocidade de
renovação de estoques e a velocidade de recebimento de vendas, melhor, assim
como quanto mais lento for o pagamento das compras. O índice mais utilizado é o
seguinte.
PMRE
+ PMRV onde…
PMPC
PMRE = prazo
médio de renovação dos estoques
PMRV = prazo
médio de recebimento de vendas
PMPC = Prazo
médio de pagamento de compras
Para se
calcular os prazos de recebimento de vendas médio, assim como pagamento médio
de compras e quantos dias a empresa leva para vender seus estoques, utilizamos
as seguintes formulas.
PMRV = 360
x Duplicatas a Receber
Vendas Brutas
PMRV
= 360 x Estoques
Custo das Vendas
PMPC = 360
x Fornecedores
Compras
9. AVALIACAO DA SITUACAO FINANCEIRA, ECONOMICA E PATRIMONIAL DE
UMA EMPRESA.
Uma boa
análise da situação financeira, econômica e patrimonial deve ser feita com base
no tripé de decisões da empresa: Situação Financeira (liquidez), Estrutura de
Capital (endividamento) e Situação Econômica (rentabilidade). E não é só o
Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício que são
utilizados para a devida análise.
Além
destas duas demonstrações, sem dúvida fundamentais, são importantes a
demonstração do Fluxo de Caixa (direto e indireto), a Demonstração de Origens e
Aplicação de Recursos, a Demonstração do Valor Agregado e alguns indicadores de
outras demonstrações. Isto porque muitas vezes a real situação financeira ou
econômica pode não estar demonstrada no balanço ou DRE.
A
empresa pode, por exemplo, investir uma grande quantia em imobilizado durante o
ano, sendo que aquele imobilizado, a partir de sua operação ou funcionamento,
pode gerar um acréscimo de rentabilidade em anos seguintes. Haveria um
indicador muito alto de imobilização, preocupante no início, porém, no ano
seguinte, esta imobilização poderia se transformar em grandes resultados
operacionais.
Os indicadores ou índices ou quocientes são as
principais grandezas utilizadas por agentes financeiros (bancos) e econômicos
(governo), além dos demais interessados na contabilidade (acionistas,
investidores, corretores, etc.). São
medidas de desempenho da empresa, que permitem avaliar inicialmente o
comportamento e a trajetória da empresa.
Uma boa
situação de liquidez aliada a um baixo endividamento, com bons indicadores de
rentabilidade é sem dúvida, o sinal de uma empresa sólida e merecedora de
crédito. Porém, a devida análise para fins de concessões governamentais ou
mesmo pelos agentes financeiros é mais aprofundada, utilizando diversos outros
índices, a partir de outras demonstrações contábeis, que não apenas o BP e a
DRE. Notas explicativas, Pareceres de auditoria e relatórios expedidos pela
própria empresa (e sua auditoria interna) também podem ser utilizados, além das
demonstrações financeiras.
10. RELATORIO DE ANALISE.
Relatórios
de análise são documentos expedidos por instituições financeiras, instituições
de valores mobiliários, empresas contratadas, etc. ou mesmo pela própria
empresa, que espelham a situação financeira, econômica e patrimonial, mostrando
indicadores financeiros, patrimoniais e de rentabilidade da empresa, assim como
seu desempenho geral ao longo de determinados exercícios. São também
solicitados por bancos e instituições de crédito ou fomento governamental, para
fins de concessão de financiamentos ou liberação de empréstimos, assim como
levados a conhecimento de sócios, acionistas e investidores, por ocasião de
assembléias ordinárias e extraordinárias.
Bibliografia:
Marion, José Carlos. Análise
das Demonstrações Contábeis – Contabilidade Empresarial. São Paulo, Atlas,
2005.